O dilema do ser humano sempre foi conectar-se adequadamente a outros indivíduos. Tentando teorizar a respeito destas conexões, há milhares de livros de auto-ajuda facilmente encontrados em qualquer livraria. Há inclusive quem afirme que, da felicidade ao sucesso financeiro, tudo depende primordialmente de como nos relacionamos.

Alguns defendem que a expressão “conexão” está intimamente ligada ao momento tecnológico em que vivemos, principalmente pela influência da internet no cotidiano urbano. Mas é muito mais do que isso. O sucesso de cada ferramenta que surgiu nos últimos 10 anos da internet é como  uma resposta ao anseio de conectar-se e comunicar-se que está dentro de cada indivíduo. Isso é da natureza humana. Divinamente moldada pelo Criador.

Já percebeu como um culto pode  parecer chato e entediante? Por que isto acontece se o conteúdo da mensagem transmitida continua o mesmo em dois mil anos de cristianismo? A resposta é óbvia. Perdemos a capacidade de interagirmos com o público. Até mesmo nas conversas mais informais, há uma tendência natural de que as gerações se distanciem pela maneira de conceber o mundo e expressar isto em palavras.

Enquanto a idade nos faz buscar estabilidade em todo os aspectos da vida (do humor à realidade financeira), as próximas gerações não estão nem um pouco preocupadas com isto. Cada indivíduo da geração seguinte sente-se livre para contemplar um mundo que vai além da segurança e do conhecimento empírico adquirido pela geração anterior. Este é o poder que todo adolescente sente… a sensação de poder enxergar mais que o mundo inteiro! E será que estão errados?

Como então nos conectarmos às pessoas desta geração? É bem simples. Basta renunciarmos a nossas posições confortáveis. É indispensável que a “verdade” não seja dissociada do contexto cultural e secular. Não há (e talvez nunca houve) uma separação entre gerações e culturas; nem tampouco entre secular e sacro. Tudo sempre esteve diretamente conectado. Então, compreendendo como tudo está interligado, passamos a nos relacionar com os indivíduos em todos os aspectos possíveis. Influenciamos e nos deixamos influenciar não apenas pelos conceitos filosóficos, mas também pelas cores, pelos sons e pelos aromas. Vivendo em meio a esta geração, sobrarão oportunidades de revelar a imensidão de um Deus que é cheio de detalhes e infinito em possibilidades.

Talvez nossa dificuldade esteja no fato de que nós mesmos não conhecemos Deus nesta profundidade. Preferimos permanecer na segurança do Cristo distante, que não participa de toda expressão artística, por causa de sua provável aparência humanista.

Até o sentido de “humanista” fica diluído ao nos relacionarmos com Deus e com as pessoas nesta intensidade. O ser humano deixa de ser o poderoso anti-cristo e passa a ser parte de uma criação maravilhosa e perfeita. Caída sim, mas ainda cheia da graça de Deus que se estende sobre toda a terra.

Quanto ao culto entediante, há maneiras simples de evitar isto. É preciso que cada indivíduo sinta-se parte do todo. As conexões pessoais devem ser intensas. Estas conexões se expressarão intensas também coletivamente. A pregação deverá deixar de ser um mero sermão e passará a ser uma história fantástica sobre pessoas de verdade. Pessoas acessíveis e humanas como você e eu. No meio de cada história, haverão dezenas de oportunidades para explicações expositivas. Mas o principal é como uma pregação possui o poder de conectar-se pessoas. Há nelas o poder de tirar um indivíduo da cadeira, levá-lo a mundos que ele nunca imaginou. Haverá choro, riso e êxtase em cada instante. Cada palavra será inesquecível. Marcará as pessoas como fogo. E terminará trazendo todos de volta à realidade, mas com o desafio de elevarem-se diariamente às dimensões maravilhosas que somente a palavra de Deus é capaz de apresentar.

Como transformar seu “sermão” nisto? Comece VIVENDO intensamente todas estas coisas. Naturalmente as pessoas acreditarão quando tudo isto for verdade em sua própria vida. Daí em diante, não saberá falar de outras coisas. Não saberá mais como evitar as conexões com todos que estiverem à sua volta. E aqueles que se permanecerem se afastando do relacionamento, serão expurgados pelas intenções de seus próprios corações.

Igreja. Conexões. Cultura.  Música. Cores. Evangelho. Como dissociar estas palavras?

Não é possível ser um autêntico cristão enquanto não assumirmos o grau necessário de exposição de nossas vidas. Quem não está disposto a ficar nu diante do mundo, jamais exercitará a plenitude de sua capacidade de conectar-se às pessoas que Cristo ama.

extraido: A.jr

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