A adoração  é enganosa quando não há serviço real ao reino de Deus. A verdadeira adoração anda de mãos dadas com o serviço (“…ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele servirás” Mt.4.10). O serviço implica logicamente em mais que palavras e pensamentos, por mais poéticos e filosóficos que sejam. Em verdade, adoração feita só de palavras, versos e poesia é abominável ao Senhor, como vemos em Isaías 29.13: “Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído”.

Adorar com “mais que palavras”, é adorar servindo ou servir adorando. O serviço a que nos referimos é portanto, aquela noção de que nossos afazeres diários são para a glória de Deus.

O senso de adoração precisa ser sobretudo bíblico, e então atingir intensamente cada aspecto da nossa vida. O seu trabalho secular é para a glória de Deus, não importando o que você faça; o seu momento de lazer também é para glória de Deus! Enfim, “tudo o que fizerdes seja em palavra seja em ação fazei em nome do Senhor Jesus dando por Ele graças a esse nome” (Cl. 3.17).

Precisamos resgatar o sentido da verdadeira adoração, pois Deus não recebe adoração que não tenha sido por Ele mesmo estabelecida. Não podemos pensar que tudo o que Deus pede é sinceridade, pois podemos estar sinceramente errados.

Martinho Lutero nos deixou um legado importante de resgate da adoração simples, que não requer invenções copiadas sem critério do mundo doente, como vemos hoje. E é dos dias da Reforma que nos vem um exemplo maravilhoso, quando um certo sapateiro se aproximou de Lutero perguntando o que deveria fazer da sua vida, agora que se tornara cristão, e o sábio reformador disse prontamente: “faça um bom sapato e venda por um preço justo!”

Talvez aquele homem esperasse uma resposta clichê do tipo, “consagre-se inteiramente ao Senhor, viva só da obra!”. Mas Lutero sabia que somos verdadeiros adoradores com o nosso trabalho bem executado, sendo bons profissionais em nossa área, não dando ‘calote’ na praça, sendo bom pai e bom marido e até quando separamos de forma ordeira um tempo para o lazer.

Em outro momento perguntaram a Lutero “o que você faria hoje, se soubesse que Cristo volta amanhã?” e o Reformador mais uma vez surpreendeu: “plantaria uma árvore”. Pois não importa o amanhã, nem o domingo de culto, nem lugar (Jo.4.21-23). Precisamos viver cada dia para glória de Deus, cada atitude nossa deve glorificar o Nome do Senhor da vida !

Porque dEle, por meio dEle e para Ele são todas as coisas, a Ele pois a glória para sempre, Amém!

Pr. Francisco Jr.

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